18 de julho de 2016

Um presente de Deus.

Texto do amigo Carlos Mazzi...


Hoje me foi dada uma tarefa difícil, falar sobre uma pessoa em um texto breve.


Vou começar contando que quando essa pessoa nasceu em minha vida, ela já tinha 2 anos e 11 meses, foi uma bondade divina, um presente que mudaria minha vida novamente. Com apenas 3 anos ela já enfrentava grandes batalhas na vida, enfrentava a difícil tarefa de rir e apostar na vida, apesar de ter adquirido a cegueira aos 11 meses de vida. Vinda da Casa de Belém direto para o meu coração, menina forte, sempre de demonstrar determinação em tudo que se dispunha a fazer, o sorriso e grandes gargalhadas eram presentes em todos os momentos de seus dias. 

Lembro que em um determinado dia, com pouco mais de 5 anos, ela resolveu que iria andar de bicicleta sem o auxilio das rodinhas laterais, insistiu tanto que tirei as rodinhas, foram incontáveis tombos mas que não a desanimaram, para cada tombo ela encontrava um motivo a mais para levantar e tentar novamente, como resultado: No final daquele mesmo dia estava andando sem as rodinhas laterais. Cair, na vida dessa pessoa, sempre foi motivo para motiva-la a levantar mais forte ainda. “Vamos acordar para a vida” com essa frase ela nos inspirava a tocar em frente. Com uma enorme falta de desanimo, ela sempre foi atirada. Um dos grandes sonhos é fazer um salto de paraquedas, também já pensou em fazer rapel, downhill, tirolesa, kamikaze, alguma prova de atletismo, bem, tudo isso ela já os fez. Um dia, depois de achar que eram brincadeira os treinos de judô, resolveu que já podia participar de uma competição, um festival na verdade. 

Foi a primeira vez que sentiu o gosto de receber uma medalha em uma competição de judô, a partir dai já somam mais de 50 medalhas em competições oficiais, nunca mais deixou de subir ao pódio, nunca mais deixou de ganhar, mesmo quando não conseguia chegar ao ponto mais alto do pódio, ganhava experiência, maturidade e agradecia pelo segundo ou terceiro lugar. São vários prêmios de Campeonatos Regionais, outros tantos de Estaduais, duas vezes Campeã Brasileira, duas vezes Campeã na Copa São Paulo. Hoje está se preparando para a convocação do Pré-Selecionado Brasileiro de Judô, com o sonho da faixa preta e um campeonato internacional na mente. O outro prazer que carrega na vida além do esporte é a musica, aprendeu as primeiras notas no teclado com o desejo de tocar a Cantata 147 de Bach, e o fez duas semanas após ter ganhado um teclado, depois disso enveredou para o violão, flauta e não irá parar por ai. 


Hoje com 13 anos a Kelly, não se permite parar de sonhar e levantar após cada queda, como lá no passado quando caia da bicicleta, ou como hoje após uma queda provocada pela sua oponente no judô. Há poucos dias perguntei para ela; “Qual a grande dificuldade que você vê em sua vida?” E ela me respondeu algo surpreendente, “A grande dificuldade que vejo são as pessoas não entenderem que eu sou normal, só não enxergo, só sou cega, outras coisas não são difíceis.”


O nome desta pessoa? Kelly Fernanda Bim Mazzi, minha filha mais nova.


2 comentários:

  1. Um breve texto e uma grande história. Parabéns, Kelly. Parabéns, Carlos.

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  2. Exemplo de superação e eficiência, Deus abençoe essa linda família.

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