Reza a lenda atual, que um cavaleiro ao destinar viagem,
rumo ao Santuário de Bom Jesus de Pirapora. (romarias de Salto, Itu e
Indaiatuba por ex.) Prepara e monta em seu animal, arruma sua tralha e ajeita
seu chapéu, pega a estrada e pensa na peregrinação daquele dia. Acontece que algumas
moças, (breteiras), aparecem para prestigiar a saída e para jogar seu charme
único e sensual aos cavaleiros. Ocorre, porém que quando dois olhares se cruzam, se
completam, entre a moça e o romeiro, o cavaleiro apeia de seu animal, tira o
chapéu e num gesto de decisão e força, coloca sua mão na cintura da escolhida e
num ímpeto sensual busca a boca da moça para pedir um beijo. Beijo esse que lhe
abençoará na jornada. A moça, que ali está para completar a benção do
cavaleiro, retribui o beijo de forma sensual e submissa, completando dessa
forma a tradição que por anos acontece e que continuará perpetuando as romarias
atuais.
Após o beijo, quase encantado, o cavaleiro coloca seu
chapéu, agradece com um olhar, se despede da moça e monta em seu animal,
tocando em direção ao seu destino. Após um ou dois dias de marcha, ao chegar à
cidade santuário, ele apeia, trata de sua montaria, toma seu banho e se refaz da
viagem, seguindo após, a participar da Santa Missa dos Romeiros, completando
dessa forma sua jornada sagrada e recebendo a benção de Bom Jesus de Pirapora. Esse cavaleiro, fiel aos seus propósitos, após a sagrada
participação no templo do Senhor, segue para seu descanso, relembrando da moça
que o beijou e fez com isso, que sua viagem corresse de forma segura e
completa. Sentindo a intensidade de um passeio como esse e deixando o cansaço
lhe consumir até o sono vencê-lo.
No dia seguinte, logo cedo, após o trato de seu animal,
ele o encilha e retoma a estrada em destino a sua casa, seu lar, com a sensação
de dever cumprido, de promessa paga, de coração aliviado... Porém, como cada
lenda tem seus percalços e contratempos. Se aquela moça, a do beijo no
cavaleiro, não tiver sido fiel a esse beijo, e após a passagem do cavaleiro se
render a um beijo de outro cavaleiro, que da mesma forma que o primeiro, apenas
queria uma benção emocional para a viagem. Se essa moça entregar seu beijo a
outro, fato que passará desconhecido para ambos os cavaleiros (romeiros), pois um
não saberá que outro foi beijado, o destino se encarregará de cruzar o caminho
dos dois na viagem, e algo de ruim acontecerá. Uma discussão, uma briga, um
entrevero. Enfim, se a moça do início da viagem não se permanecer fiel à
tradição e a lenda de abençoar com sua boca a viagem de um único romeiro, a
viagem dos dois ou mais beijados por ela, se cruzará de forma desagradável para
todos. E a viagem não terá sido de plena alegria.
“Reflexão”: Moças solteiras que
gostam e participam de romarias, sejam fieis, nós cavaleiros e romeiros precisamos
de vocês pra atingir nossos objetivos sagrados. Não nos entregue nas artimanhas
do cramulhão, precisamos da sua fidelidade para alcançar a felicidade....
Respeitem essa lenda.
By Ogro.

